Você conhece os livros de séculos passados que inspiraram as magias de Harry Potter?
Cara a cara com o vilão Voldemort, Harry Potter recebe um feitiço com poder de matá-lo. Voldemort lança a magia dizendo “avada kedavra”, que nada mais é do que a forma em aramaico de “abracadabra”. Bem antes de a escritora J.K. Rowling usar o uso dessa palavra mágica nos livros da saga do aprendiz de feiticeiro (e não vamos aqui dar spoiler do que aconteceu na passagem acima, para quem ainda não leu os livros nem viu os filmes), o cientista Quintus Serenus, dos tempos do Império Romano, já registrava o seu poder na obra que viria a ser batizada anos depois de Liber Medicinalis. Na edição do século 13 do livro, uma relíquia, está lá descrito que a palavra “abracadabra” deveria ser usada como amuleto em volta do pescoço para curar a malária. Na primeira aula de poções que Harry tem na escola de magia Hogwarts, o professor Snape pergunta se ele sabe de onde vem um bezoar, uma espécie de pedra encontrada no estômago de animais, principalmente de cabras, que seria antídoto para essas substâncias com poderes mágicos. A referência a esse antídoto aparecerá várias outras vezes, até quando Harry o utiliza para salvar a vida do amigo Ron. Um exemplar de bezoar do século 17, assim como o livro que fala de abracadabra, são alguns dos objetos expostos em Harry Potter: Uma História da Magia, exposição em cartaz na Biblioteca Britânica de Londres até 28 de fevereiro de 2018. A mostra segue depois para Nova York. A exposição, que celebra os 20 anos do lançamento do primeiro livro da série Harry Potter, mostra como praticamente todos os elementos mágicos apresentados por J.K. Rowling apareceram centenas de anos antes em publicações históricas. Os curadores levaram mais de um ano pesquisando o acervo da biblioteca para encontrar essas obras. Plantas falantes Dividida em dez salas, com temas como alquimia, astronomia, herbologia, poções e criaturas mágicas, entre outros retirados da grade curricular da escola fictícia de bruxaria Hogwarts, a mostra traz um acervo de livros raríssimos da biblioteca, alguns com mais de 800 anos, além de objetos de arte e itens do museu de bruxaria e magia de Boscastle, na Cornualha. A parte dedicada às plantas tem publicações que são verdadeiras obras de arte, com as primeiras ilustrações de diversas espécies. Estão lá, por exemplo, desenhos de mandrágoras, as plantas com propriedades mágicas cujas raízes adquirem forma humana – há uma famosa cena do filme Harry Potter e a Câmara Secreta em que elas dão um escândalo ao serem retiradas da terra pelos alunos durante uma aula de herbologia. Além dos livros exibidos, há um exemplar de mandrágora do século 16, emprestado do Museu de Ciência londrino. Entre as publicações em destaque está Culpeper’s Complete Herbal, que cataloga várias plantas medicinais, datada de 1652. A autora J.K. Rowling conta ter comprado uma edição de segunda mão da obra para escrever sobre herbologia na saga de Harry. A sala da astronomia também se destaca com obras raríssimas mostrando os estudos das constelações e do início da astrologia. Está lá, por exemplo, a retratação da constelação Cão Maior, cuja estrela mais brilhante é a Sirius Black – é daí que J.K. Rowling tirou o nome de um dos personagens de Harry Potter. Os superfãs do jovem feiticeiro também encontram na exposição objetos específicos relacionados aos 20 anos da publicação do primeiro livro, como a primeira sinopse da história, rejeitada por várias editoras em 1991. Também são exibidos desenhos de próprio punho da autora, de como ela imaginava os personagens, a escola de Hogwarts, etc. Os rascunhos aparecem entre as ilustrações originais dos livros, assinadas por Jim Kay, espalhadas por todas as salas. Também está lá o bilhetinho de Alice Newton, com então 8 anos, que foi uma das “responsáveis” pela publicação do primeiro livro sobre Harry Potter, que àquela altura já havia sido esnobado por oito editoras. Seu pai, um dos fundadores da editora Bloomsbury, ainda estava em dúvida se publicaria o livro de Rowling quando levou a história para que a menina lesse. Após a leitura, ela deixou o seguinte recado ao pai, que pode ser visto na mostra: “A excitação nesse livro me fez sentir muito bem. É um dos melhores livros que uma pessoa de 8 ou 9 anos poderia ler”. Rata de biblioteca Em um documentário com o mesmo nome da exposição, produzido e exibido pela BBC, J.K. Rowling revela algumas das suas fontes de pesquisa para Harry Potter. Ela conta que um dos seus livros preferidos é As Crônicas de Nárnia: O Sobrinho do Mago, de Clive Staple Lewis, que narra a aventura de crianças pulando entre mundos da fantasia e realidade. Essas passagens a mundos diferentes, ela diz, são como estar numa biblioteca. “Eu era uma daquelas crianças de biblioteca.” A história da pedra filosofal, inspiração para o primeiro volume de Harry Potter, a escocesa retirou dos livros que falavam de alquimia e de Nicolas Flamel, que teria inventando a substância capaz de transformar qualquer metal em ouro e que ajudaria a fabricar o elixir para a vida eterna. Uma das peças mais impressionantes da exposição é um manuscrito de seis metros, com pinturas de criaturas mágicas e plantas, que ensina como fazer a pedra filosofal, do século 16. A lápide do túmulo do alquimista também está na mostra. “Sonhei que estava no estúdio do Flamel quando escrevi A Pedra Filosofal”, lembra. “O que me fascina na alquimia é que você tem essa mistura de ciências antigas e genuinamente científicas, que hoje reconhecemos como base para a química.” O cocurador da mostra, Alexander Lock, reforça no documentário essa ideia que permeia a exposição, de que ciência e magia caminham juntas. “A penicilina, por exemplo, é uma fórmula mágica. É uma mágica que realmente funciona”, afirma. Rowling, que vendeu mais de 450 milhões de cópias de seus livros sobre o aprendiz de feiticeiro, diz não achar que todas as pessoas deveriam crer em magia. “Mas não tenho certeza se eu acreditaria em alguém que não acredita.”
Prêmio Professores do Brasil irá reconhecer os melhores projetos de educação no Brasil
O Prêmio Professores do Brasil é uma iniciativa do Ministério da Educação juntamente com instituições parceiras que busca reconhecer, divulgar e premiar o trabalho de professores de escolas públicas que contribuem para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem desenvolvidos nas salas de aula. Em 2018 o Prêmio está em sua 11ª edição do Prêmio convida a todos os professores de escolas públicas da educação básica a se inscreverem enviando um relato de prática pedagógica desenvolvida com seus alunos. Seu relato será avaliado e poderá ser selecionado para uma premiação estadual, regional e nacional. Sabe-se que registrar uma experiência, um processo vivido ou mesmo uma conversa entre alunos e professores é uma forma de sistematizar o conhecimento do professor. Assim, além de participar do processo de premiação, os professores desenvolvem um exercício de reflexão sobre a própria prática, o que garante o aprimoramento dos processos de ensino e aprendizagem. Ou seja, independentemente do processo de seleção, a participação dos professores é um caminho para a busca da qualidade na educação, compromisso de todos os educadores! O Prêmio Professores do Brasil foi instituído em 2005 pelo Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Básica (SEB), juntamente com instituições parceiras. Ao longo das sucessivas edições foram premiadas diversas experiências bem sucedidas, criativas e inovadoras, desenvolvidas por professores da educação básica pública. Premiação Participe As inscrições podem ser feitas até 28 de maio neste site. Veja o regulamento neste endereço. Para mais informações, acesse o site do Prêmio: http://premioprofessoresdobrasil.mec.gov.br.
Como fazer uma boa mediação e formar novos leitores
A formação de leitores representa um dos grandes desafios da educação brasileira. De acordo com pesquisa de 2016 do Instituto Pró-Livro, cerca de 44% da população do país não é considerada leitora – ou seja, não leu ao menos um livro, ainda que em partes, nos três meses anteriores ao levantamento. Além disso, a média de leitura por habitante ainda é baixa: são cerca de 5 livros por ano. Reverter esse cenário e formar leitores certamente não é tarefa fácil, mas o professor tem um papel muito importante no processo de mudança. Especialmente na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, momento em que o hábito de leitura está sendo desenvolvido. A pesquisa do Instituto Pró-Livro evidencia a força docente nessa fase: no Brasil, 18% das crianças de 5 a 10 anos apontam como fator principal para escolha de um livro a indicação do professor, atrás apenas da capa da obra, citada por 27% dos entrevistados. Como o professor influencia a escolha de títulos, saber fazer boas indicações é fundamental para formar futuros leitores literários. Mas não só: é preciso estudar a obra, fazer leituras compartilhadas, explorar sua complexidade, propor discussões e dar voz aos alunos, para que eles sejam ativos nesse processo, conhecido como mediação de leitura. Mas como fazer uma boa mediação? A revista Educação conversou com Patrícia Diaz, diretora da comunidade educativa Cedac e formadora de professores, sobre aspectos que podem ajudar o docente a desenvolver seu papel de mediador. Confira: O que caracteriza uma boa mediação? A mediação começa quando o mediador escolhe a obra e se prepara para ler. Nesse momento, os cuidados para a escolha do livro são essenciais e o seu estudo para o maior conhecimento possível de todas as suas facetas, também. Assim, no momento da mediação, o mediador poderá atuar com propriedade sobre a obra e conectar-se ao público. O ideal é que se leia “com” o outro e não “para” o outro, ou seja, a boa mediação é a que encanta e envolve o público como participante ativo daquela leitura, sem que haja uma imposição da forma ou da interpretação da leitura pelo mediador. A mediação também não acaba quando acaba a leitura do livro, ela vai além. Uma boa mediação envolve uma boa conversa sobre o livro lido, que vá para além do óbvio, do “literal” do texto, que estimule os participantes a falarem o que sentiram, o que pensaram, que chame a atenção para pontos fortes do livro, que visite novamente algumas páginas, releia trechos etc. A partir de qual idade pode ser iniciada a mediação de leitura na escola? Desde bebês. Existe uma ideia de que os bebês não entendem ou que vão estragar os livros, mas essas são questões que precisam ser trabalhadas na formação dos educadores para que consigam enxergar a potência das crianças desde pequeninas, já que nessa fase elas estão tendo o maior pico de crescimento cognitivo e têm muita curiosidade e interesse de descobrir o mundo, investigá-lo e apropriar-se de tudo. Como escolher os livros a serem trabalhados com as crianças? Quais critérios devem ser observados? É muito importante considerar todo o projeto do “objeto” livro: seu projeto gráfico, o texto em si, as ilustrações, as relações entre texto e imagem. Também é essencial pensar quais os efeitos e sensações pode causar no leitor. Além disso, pensar qual é o conceito de criança que possivelmente o autor do livro tem. Isso porque existem livros infantis que refletem a falta de crédito do autor para a inteligência das crianças, abordando as questões de maneira muito simplificada e artificial, pois não crê que as crianças são capazes de interagir com uma literatura mais completa e complexa. É também importante saber um pouco do autor e da editora, pois suas linhas de atuação e histórico revelam muito sobre os cuidados que foram tomados no processo de produção do livro. Leia a entrevista completa na página da revista Educação. Fonte: Revista Educação | Juliana Fontoura
Ministério da Cultura lança Prêmio #CulturasPopulares
O Ministério da Cultura vai lançar, nesta sexta-feira (27 de abril), o Prêmio #CulturasPopulares. São R$ 10 milhões para 500 iniciativas que contribuem para a valorização de manifestações culturais. Em 2018, o edital homenageia a cantora e compositora Selma do Coco. As inscrições começam dia 30 de abril. Quer saber mais? Participe de um bate-papo online com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, às 9h, desta sexta-feira (27). Para isso, envie seu nome e e-mail confirmando participação para imprensa@cultura.gov.br até às 15h do dia 26. O link para o bate-papo online será enviado por e-mail até as 8h30 da sexta-feira(27). Serviço: Bate-papo online com o ministro da Cultura Data: 27/04/2018 | Horário: 9 horas Inscrições: imprensa@cultura.gov.br até 15h do dia 26/04/2018
Filmes para ouvidos ou livros de ouvir? Como a indústria dos audiolivros está se transformando
Apesar de o modelo nunca ter realmente pegado no Brasil, o mercado editorial tem apostado cada vez mais no “renascimento” dos audiolivros no País e no mundo. A discussão permeou a prestigiada Feira de Frankfurt, em outubro, e as apostas das editoras estão cada vez mais nas novas tecnologias para produção de verdadeiros shows imersivos. Esqueça as fitas cassetes e os discos. Aplicativos e ferramentas atuais permitem a produção de não apenas um “livro para ouvir”, mas uma experiência de entretenimento com direito a dublagem de atores famosos, efeitos sonoros em 3D e trilha original para cada produção. De acordo com a Nielsen, empresa que monitora as vendas de livros ao redor do globo, o audiolivro vive um momento de revolução. Talvez o exemplo mais emblemático do modelo nacional seja a Bíblia narrada pela voz estrondosa de Cid Moreira, disponível no Youtube. Mas internacionalmente os parâmetros são outros. Origens, o recente best-seller do autor inglês Dan Brown, vendeu 14 mil cópias em áudio somente em sua semana de estreia, de acordo com a editora Transworld. Entre 2015 e 2016, o número de downloads e assinaturas no mercado americano de livros em áudio aumentou mais de 18%, o que resultou em um faturamento de 2,1 bilhões de dólares. Quem comanda o mercado dos Estados Unidos é a plataforma Audible, da Amazon. Em 2008, a gigante da internet comprou a plataforma por U$300 milhões de dólares. Atualmente, seu acervo conta com mais de 200 mil títulos disponíveis para os usuários do serviço em todo o mundo e a assinatura custa entre U$1 e U$30 dólares. Porém, a disponibilidade de livros narrados em português ainda é ínfima. Isso deve mudar em 2018, contudo. Ainda não existe uma data oficial, mas a Audible tem preparado o terreno para a sua entrada no Brasil. Gisele Mirabai é escritora e está participando desse movimento. O seu livro Machamba venceu o Prêmio Kindle de Literatura e agora está sendo adaptado para a versão em áudio. “Eu já terminei a gravação e para mim foi muito especial, já que também sou atriz. Foi uma experiência ótima poder narrar o livro que eu escrevi, já que pude direcionar a leitura do texto e colocar as emoções na minha voz, do jeito que imaginei na história”, compartilhou a autora em entrevista ao HuffPost Brasil. Essa tentativa de virada da indústria terá direito a todos os tipos de pirotecnias. Segundo o ator Alfred Molina, que narrou The Starling Project, livro vencedordo Audie Award em 2016, a indústria tem produzido “filmes para ouvidos”disponíveis em diversas plataformas, até mesmo no serviço de streaming Spotify. Playlists de “audiolivros” ou “audiobooks” já contabilizam mais de 150 mil seguidores. No Brasil, a disputa será pela atenção dos brasileiros que ficam cada vez mais horas na internet – o País ocupa a terceira posição no ranking de tempo ativo on-line. Gabriela Gomes, estudante, costuma buscar os áudios dos livros pelos quais se interessa em canais do Youtube. “Existem canais que oferecem até os clássicos da literatura, como Mario de Andrade e José de Alencar. Para mim, o áudio me ajuda a ter concentração, já que me distraio muito facilmente. E tem algo que eu carrego desde a infância. Lembro que os meus primeiros livros também eram narrados”, explica em entrevista ao HuffPost Brasil. O mercado nacional de audiobooks até então é incipiente e dominado pela Ubook, plataforma da Saraiva cuja assinatura custa R$24,90 por mês, e a startup Toca Livros, que também funciona por assinatura a partir de R$14,90. De acordo com Marcos Costa, coordenador de marketing da Toca Livros, a plataforma já acumula 1,2 mil títulos em português e atende, em média, 250 mil clientes desde que foi fundada, em 2014. Os livros mais vendidos são sobre de desenvolvimento pessoal, autoajuda e negócios. Segundo Costa, o público alvo são adultos entre 30 e 50 anos, interessados em otimizar o tempo na rotina e também em mudar de carreira. “Temos um sistema multiplataforma. Você pode escutar no site ou no app. Mas precisamos educar as pessoas para entenderem o que é o audiolivro e como eles podem ser uma porta de entrada para a literatura”, explica. Para Mirabai, o crescimento do consumo de literatura em áudio não assusta, já que a ideia do que é uma narrativa pode ser “imensa”. A escritora argumenta que audiolivro “também é uma plataforma válida para se fruir a literatura”. “A plataforma do livro tem a ver com a realidade que a pessoa está vivendo. O livro digital não precisa eliminar a estante de livros físicos. Penso que as pessoas possam consumir o audiolivro trânsito, na academia ou em uma caminhada. Ele vem para te ajudar em um momento que você não pode estar com o livro de papel. Não é um ou o outro. Eles coexistem”, defende a autora. A professora Neide Luzia Rezende, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), estuda a formação de leitores e hábitos de leitura no Brasil. Para ela, é importante prestar atenção a forma com que os audiolivris irão adaptar os textos originais de literatura. “As práticas culturais não são estanques, portanto como produto social, os conceitos adquirem novos contornos, ainda que preserve em parte seu sentido de origem. É claro que o audiolivro é literatura: mudou o suporte, mas o texto é o mesmo; a leitura por alguém já imprime uma tonalidade, ou seja, um viés de interpretação, por isso é diferente da leitura no livro impresso. Agora, depende muito do que se fará com o texto integral: se ele for fragmentado, apresentado com objetivo não de leitura, mas de propaganda, por exemplo, deixará de ser literatura”, explica em entrevista ao HuffPost Brasil. Fonte: HuffPost Brasil
Melhores livros de 2017: de samba, futebol de várzea a heroínas negras, o ano pede espaço na estante
O jornal El País perguntou a três críticos e curadores com formações e atuações diferentes no mercado cultural brasileiro quais foram os cinco melhores lançamentos de 2017. A lista, que não se limita a literatura, forma um panorama amplo que abarca títulos de autores consagrados até os menos conhecidos. Há espaço para as grandes editoras e também para as pequenas e médias. A seguir, as indicações e uma breve apresentação de quem as escolheu. Manuel da Costa Pinto é jornalista, colunista do jornal Folha de S. Paulo, mestre em teoria literária e literatura comparada pela USP e foi um dos fundadores da revista Cult. A Noite da Espera, de Milton Hatoum (Companhia das Letras). Na primeira parte da trilogia O Lugar Mais Sombrio, o renomado autor conta a história de Martim, um jovem que vive em Brasília o início da ditadura militar brasileira. Noite Dentro da Noite, de Joca Reiner Terron (Companhia das Letras). O novo romance do autor conta a história familiar de um garoto de 11 anos que, depois de sofrer um trauma, perde suas memórias e esquece quem é. O Livro da Imitação e do Esquecimento, de Luis Krausz (Benvirá). Novo romance do professor de literatura hebraica e judaica da Universidade São Paulo, fala sobre Manfred Braunfels, um historiador que está empenhado em publicar uma pesquisa sobre escravos na Palestina durante o domínio romano. Adeus, Cavalo, de Nuno Ramos (Iluminuras). Novo livro do escritor e artista plástico, fala sobre o papel do artista em um texto híbrido que fica entre o conto e a dramaturgia. Uma História do Samba (Vol. 1), de Lira Neto (Companhia das Letras). Novo livro do autor de uma aclamada biografia de Getúlio Vargas é a primeira parte de uma trilogia que pretende contar a história do samba no Brasil. Josélia Aguiar é jornalista cultural, historiadora e atual curadora da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Na edição atual do evento, trouxe mais diversidade para a programação ao equiparar o número de autores homens e mulheres convidados para os debates, além de dar mais destaque para a literatura produzida por escritores negros. Ode a Mauro Shampoo e Outras Histórias da Várzea, de Luiz Antonio Simas (Morula). Shampoo foi o centroavante do pior time de futebol do mundo, o Ibis. E isso basta para saber do que se trata o livro de Simas: um corolário aos vencidos e perdedores do esporte mais amado do país. Lima Barreto – Triste Visionário, de Lilia Moritz Schwarcz (Companhia das Letras). A biografia do autor homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty veio para colocar luz em uma faceta pouco explorada de sua obra: a luta de Lima Barreto contra o racismo e a escravidão O Martelo, de Aledaide Ivánova (Garupa). Terceiro livro de poesia da jornalista, tradutora e fotógrafa que nasceu no Recife, Pernambuco, em 1982. Os textos tratam de machismo, estupro e da liberdade sexual feminina. Como se Fosse a Casa: Uma Correspondência, de Ana Martins Marques e Eduardo Jorge (Relicário). O livro se constrói a partir de poesias trocadas como forma de correspondência entre os autores. Ela escrevia de Belo Horizonte no apartamento de Jorge, enquanto ele viajava pela França. qvasi, de Edimilson de Almeida Pereira (Editora 34). Com vários livros publicados, o autor reúne no último lançamento os principais pontos de sua pesquisa poética: literatura, antropologia, cultura popular e religiosidade. Ketty Valencio é bibliotecária, gestora cultural e tem uma pesquisa acadêmica sobre gênero e diversidade sexual. No começo de dezembro, Valencio abriu um espaço físico de sua Livraria Africanidades, dedicada exclusivamente à literatura feita por mulheres negras. Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis, de Jarid Arraes (Polén). Através de cordéis, o livro conta a história de 15 mulheres negras brasileiras, como as escritoras Maria Carolina de Jesus, de Quarto de Despejo, e Maria Firmina dos Reis, autora do primeiro romance abolicionista do Brasil. Tudo Nela Brilha e Queima: Poemas de Luta e Amor, de Ryane Leão (Planeta). Livro de estreia da autora de Cuiabá traz poesias que dão enfoque ao ambiente urbano e o cotidiano de lutas e opressões de mulheres negras. O Punho Fechado no Fio da Navalha, de Patrícia Naia (Castanha Mecânica). Primeiro livro de poesia da escritora fala sobre suas vivências em Recife e foi lançado pela editora artesanal Castanha Mecânica. De Lágrimas, Revides e Futuros, de Vagner Souza (Edições Incendiárias). Livro de estreia de poesias do autor que participa do Sarau Poesia na Brasa, na Vila Brasilândia, periferia na zona Norte de São Paulo. Antologia Jovem Afro (Quilombhoje Literatura). Quatorze autores integram essa coletânea de jovens escritores negros entre 18 e 24 anos. O lançamento, em outubro, aconteceu em ocasião do Dia da Consciência Negra. Fonte: EL PAÍS | André de Oliveira
Tecnologia: prática pedagógica liderada pelo professor faz toda a diferença
Ao liberar o uso de celular na sala de aula, a rede estadual de São Paulo jogou luz à inquietação de muitos professores: tecnologia na escola atrapalha ou ajuda? Que a tecnologia digital, e a própria internet, cria novas oportunidades não é novidade. A pesquisa Percepção Pública de Ciência & Tecnologia no Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), de 2015, mostra que a população brasileira dá grande valor a essas duas áreas, mesmo que não as compreenda bem. Vários exemplos prosaicos atestam essa utilidade. A retirada de documentos em displays sem o apoio humano ajuda a ganhar tempo, ao menos para algumas pessoas, pois, além de exigir que os usuários sejam alfabetizados, o aparelho requer a identificação de signos e a compreensão da navegação em uma trilha digital. Não se trata, portanto, apenas de instrumentais úteis, mas de uma nova linguagem que atravessa todas as esferas da vida, como aponta o sociólogo espanhol Manuel Castells. E daí o assunto ser objeto de discussões educacionais, e com razão. Se por um lado o uso da tecnologia pode mitigar as desvantagens históricas e socioeconômicas entre as crianças e os adolescentes, como aponta documento recente da Unesco, por outro, exige-se um modelo pedagógico que envolva ativamente o aluno. Do contrário, a inclusão de ferramentas tecnológicas pode até impactar negativamente na aprendizagem, como apontam algumas pesquisas. É sim, a escola, o espaço público estratégico capaz de garantir, para os diferentes segmentos sociais, o letramento digital essencial para que as crianças e os adolescentes não apenas utilizem as ferramentas digitais, como criem, explorem e descubram novas possibilidades. O letramento digital (em inglês, digital literacy, termo cunhado pelo norte-americano Paul Glister) propõe mais que o manuseio passivo dos dispositivos; propõe a organização, interpretação, avaliação e criação de informação digital em seus múltiplos formatos. Em se tratando do Brasil, onde as desigualdades são enormes, um trabalho pedagógico de qualidade com a cultura digital na escola é ainda mais premente. Enquanto 98% das crianças brasileiras entre 9 e 17 anos das classes A e B estão conectadas, nas classes C e D, essa taxa é de 66%, como revela a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2016, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Entre as zonas urbana e rural, a diferença repete-se: 81% contra 65%, respectivamente. Apesar disso, apenas 50% das escolas de Ensino Fundamental estão conectadas. Tal cenário exige que a tecnologia seja integrada como parte dos currículos escolares, ressignificada como uma linguagem de possibilidades e responsabilidades e contextualizada com os saberes tradicionais. Como não poderia deixar de ser, é impossível avançar nessa proposta sem envolver o professor, que se frise: não apenas como um mediador, mas ele mesmo como um usuário crítico da tecnologia. Um estudo da organização McKinsey&Company revela que a melhoria da aprendizagem a partir do uso da tecnologia tende a ocorrer quando o professor está à frente desse trabalho. Para isso, condições básicas devem ser oferecidas de modo que o docente não apenas use dispositivos digitais como suporte (slides, por exemplo), mas como ferramentas pedagógicas. As barreiras que impedem essa apropriação foram apontadas por uma pesquisa do movimento Todos Pela Educação em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Instituto Natura, Itaú BBA, Fundação Telefônica Vivo e Samsung. Segundo o estudo lançado neste ano, a sobrecarga de trabalho e a falta de infraestrutura e de formação impedem que os docentes sejam usuários mais propositivos e frequentes. Leia o artigo de Priscila Cruz* com a colaboração de Pricilla Kesley no UOL Educação. * Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. Graduada em Administração (FGV) e Direito (USP), mestre em Administração Pública (Harvard Kennedy School), foi coordenadora do ano do voluntariado no Brasil e do Instituto Faça Parte, que ajudou a fundar. Fonte: UOL Educação
RDA pode ganhar tradução para o português
Uma das recomendações do IV Encontro de Estudos e Pesquisas em Catalogação (EEPC) evento ocorrido paralelamente ao 27º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD) foi a necessidade de tradução da norma de catalogação denominada Resource Description and Access (RDA), para o português, com a possibilidade de ajustes nos exemplos, que facilitem a compreensão e adoção pelas unidades de informação brasileiras. A Federação Brasileira Associações de Bibliotecários (FEBAB) informou que estabeleceu contato com a American Library Association (ALA) para verificar as possibilidades de um trabalho colaborativo. Neste momento, analisa-se as condições explicitadas pela associação norte-americana e, simultaneamente, se delineia um projeto para viabilizar essa importante empreitada. Para apoiar essas tratativas junto à ALA, a FEBAB conta com a colaboração da professora Dra. Zaira Regina Zafalon, coordenadora geral do IV EEPC, e do professor Dr. Fernando Modesto. Novas informações serão dadas pela FEBAB em seus canais oficiais de comunicação. Fonte: FEBAB
UNICAMP realiza 21º Congresso de Leitura COLE
O 21° Congresso de Leitura (COLE) convida a pensar com as línguas dissonantes que fertilizam a vida comum com sabores, saberes e tempos outros: com a língua dos bebês, dos surdos, dos velhos, línguas juvenis, línguas dos estrangeiros, dos refugiados, línguas dos povos indígenas, línguas afro-brasileiras, africanas, línguas ainda sem nome… O evento será realizado entre 10 e 13 de julho, em Campinas, São Paulo, e tem coordenação geral da diretoria da Associação de Leitura do Brasil (ALB), composta por Alik Wunder, Antonio Carlos Rodrigues de Amorim, Cláudia Ometto, Davina Marques, Marcus Pereira Novaes e Lavínia Lopes Salomão Magiolino. As inscrições podem ser realizadas até o dia 28 de junho neste endereço. Os resultados das avaliações dos trabalhos e das propostas de minicursos e rodas de conversa serão divulgados em 07 de maio. PROGRAMAÇÃO* Terça – 10/07/18 Manhã 8:30-12:00: Credenciamento dos participantes. 9:30: Sessão de Abertura do 21° Congresso de Leitura do Brasil. 11:00: Conferência poético-musical “Territórios sonoros, geografias do deleite” com Déa Trancoso – poeta, cantora e compositora (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri) – Coordenação: Alik Wunder (Universidade Estadual de Campinas). Tarde Livre – caso o Brasil jogue a semifinal da Copa do Mundo de Futebol na quarta-feira (11/7) à tarde, a programação daquele período será transferida para cá. Quarta – 11/07/18 Manhã 9:00-16:30: Credenciamento dos participantes. 9:00: Conferência 2: “Subjetividades clandestinas: experiência narrativa, lógicas secretas e epifanias” com Maria da Conceição Ferrer Botelho Sgadari Passeggi (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) – Coordenação: Cláudia Ometto (Universidade Estadual de Campinas). 10:30: Mesas-redondas 1 • “A Base Nacional Curricular Comum e as Reformas do Ensino Médio” com Antonio Carlos Rodrigues de Amorim (Universidade Estadual de Campinas) e Carlos Eduardo Ferraço (Universidade Federal do Espírito Santo). • “É preciso falar sobre os vencidos: educação e leitura na história de setores populares” com Giselle Martins Venâncio (Universidade Federal Fluminense) e Atilio Bergamini Júnior (Universidade Federal do Ceará) – Coordenação: Alexandro Henrique Paixão (Universidade Estadual de Campinas). • “Filosofia, política e literatura” com Daniel Lins (Universidade Federal do Ceará) e Evandro Nascimento (Universidade Federal de Juiz de Fora) – Coordenação: Marcus Novaes (Universidade Estadual de Campinas). Tarde 14:00: Mesas-redondas 2 • “Tupi or not tupi – infância e antropofagia” com Silvio Gallo (Universidade Estadual de Campinas) e Antonio Miguel (Universidade Estadual de Campinas) – Coordenação: Ana Lúcia Goulart de Farias (Universidade Estadual de Campinas). • “Escritas ficcionais e formação de professores” com Luciano Bedin da Costa (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Wenceslao Machado Oliveira Jr (Universidade Estadual de Campinas) – Coordenação: Giovana Scareli (Universidade Federal de São João Del Rei). • “Escola sem partido, quem tem medo do(a) professor(a)?” com Maria Luiza Sussekind (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Gaudêncio Frigotto (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) – Coordenação: Antônio Carlos Amorim (Universidade Estadual de Campinas). 16:00: Oficinas com artistas-educadores. Noite 18:30: Abertura de exposição e lançamento de livros. 19:30: Mostra Kino – Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual. Quinta – 12/07/18 Manhã 9:00-16:30: Credenciamento dos participantes. 9:00: Conferência 3: “A língua vai para onde ela quer…” com Ana Maria Godinho Gil (Universidade Nova Lisboa, Portugal) – Coordenação: Antônio Carlos Amorim. 10:30: Mesas-redondas 3 • “Teatro, educação e as vidas dissonantes” com Wladilene de Sousa Lima (Universidade Federal do Pará) e Kelly Cristina Fernandes (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) – Coordenação Renata Ferreira (Universidade Federal de Tocantins). • “A palavra e a imagem como expressão de arte nos livros para crianças e jovens: poesia e ilustração” com Leo Cunha (Escritor) e Graça Lima (Ilustradora) – Coordenação: Elizabeth Serra (FNLIJ). Tarde 12:00: Lançamento de livros. 14:00: Comunicações e Rodas de Conversa 1. 16:30: Mesas-redondas 4 • “Cinema, leitura e formação” com Fabiana de Amorim Marcello (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Inês Assunção de Castro Teixeira (Universidade Federal de Minas Gerais) – Coordenação Carlos Eduardo Albuquerque Miranda (Universidade Estadual de Campinas). • “A voz da mulher indígena na literatura e na aldeia” com Geni Vidal Lima Guarani (Liderança indígena) e Denizia Kariri-Xocó (Escritora) – Coordenação Olívio Jekupé. • “Humor e literatura” com Flávio de Sousa (Escritor) e Rosana Rios (Escritora) – Coordenação Marcus Novaes (Universidade Estadual de Campinas). Noite 18:30: Lançamento de livros. 19:30: Mostra Kino – Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual. 19:30: Sessão Especial: Memórias da Associação de Leitura do Brasil – Coordenação: Lilian Lopes da Silva (Universidade Estadual de Campinas) e Luciane Oliveira (Universidade Estadual de Campinas). Sexta – 13/07/18 Manhã 9:00-12:00: Credenciamento dos participantes. 9:00: Conferência 4: “Literaturas e gêneros, vozes dissonantes” com Amara Moira (Escritora) – Coordenação: Davina Marques (Instituto Federal de São Paulo – Campus Hortolândia). 10:30: Comunicações e Rodas de Conversa 2. Tarde 13:30: Comunicações e Rodas de Conversa 3. 16:00: Minicursos. 16:00: Assembleia Ordinária Bianual da Associação de Leitura do Brasil. * A programação completa será divulgada em breve. Acesse todas as informações sobre o COLE em: http://cole-alb.com.br/index.php.
Aplicativo adapta clássicos para despertar gosto pela leitura
Com oito livros interativos publicados, todos adaptações de clássicos da literatura, o aplicativo Storymax usa a tecnologia dos smartphones e tablets para contar histórias. Tudo pensado para desenvolver o gosto pela leitura no público infanto-juvenil. A ideia foi de dois profissionais da área editorial, a jornalista e editora Samira Almeida, e o designer e ilustrador Fernando Tangi, que, juntos, decidiram que era hora de trazer um novo formato para o mercado. A primeira história foi “Frankie for Kids”, de 2013. A adaptação de “Frankenstein”, de Mary Shelley, fala sobre a dificuldade das pessoas de lidar com as diferenças, o que leva ao bullying. “Percebemos que a experiência de leitura estava mudando. Quisemos projetar livros interativos que combinassem com isso. Usamos o potencial das diversas formas de leitura, como texto, arte, animação, efeitos de som e trilha sonora para transformar tudo isso em uma experiência de uso só”, diz Samira. O livro ficou em 2o lugar na categoria digital e interativa do Festival comKids Prix Jeunesse Iberoamericano 2013 e levou ainda o Prêmio Artes Digitais e Aplicativos Educacionais, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Depois, vieram outros livros interativos, sempre publicados como aplicativos independentes, a maioria em português, inglês e espanhol e um deles também em alemão, todos disponíveis para Android e iOS. “Via Láctea”, adaptado de um poema de Olavo Bilac, fala do autor brasileiro expoente do Parnasianismo. O livro ganhou o prêmio Jabuti de literatura em 2015, ficando em 2o lugar na categoria Infantil Digital. “Nautilus”, baseado na obra “Vinte Mil Léguas Submarinas”, de Jules Verne, também levou o Jabuti em 2017, na mesma posição e categoria. A história é um incentivo ao desenvolvimento do pensamento inovador, segundo Samira. “A principal razão de adaptar clássicos é que eles falam de coisas relevantes. O tempo passou e continuam falando. Faz sentido para todo mundo conhecer”, explica. Três histórias fazem parte de uma coleção sobre os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas), criadas em parceria com a empresa de biotecnologia Novozymes e educadores do Sesi-PR. “Frritt-Flacc”, de Jules Verne, é um conto de suspense e terror que discute a mesquinhez e trata da ODS 1, que busca a erradicação da pobreza. O livro foi selecionado pela Cátedra Unesco de Leitura PUC-Rio 2016 pela excelência em literatura infantil em juvenil. “Ostras”, adaptação de um conto do russo Anton Tchékhov, fala da fome e discute a ODS 2, erradicação da fome e agricultura sustentável. “O Rei do Rio de Ouro”, de John Ruskin, trata da ODS 6, água limpa e saneamento. Há ainda “St. Ives”, tradicional cantiga inglesa que é uma charada e trabalha a importância da leitura do enunciado antes de tentar resolver um problema. Já “Literatour”, criado em parceria com o Goethe-Institut São Paulo, traz quatro histórias inspiradas em clássicos alemães para treinar o idioma e falar da cultura do país. Além de terem o objetivo principal de desenvolver o gosto pela leitura, as histórias contadas pela Storymax querem levar crianças e jovens à reflexão, ação e busca da transformação social. Para isso, todos os aplicativos trazem conteúdo extra sobre os autores e sobre o tema discutido e propõem atividades educativas. “A relação com a arte serve para olhar para ela e pensar sobre você e como lida com as pessoas e com o mundo. Serve para conhecer o passado, pensar o presente, imaginar o futuro e fazer algo em relação a isso”, afirma Samira. A ideia, segundo a jornalista, é que exista uma mediação no uso dos livros. “Por uma crença particular, não quero tirar o espaço do mediador, que pode ser um professor, o pai, o avô. Falamos de temas relevantes, que trazem reflexão. Precisa trocar. Gosto de deixar espaço para fazerem junto com a criança. Acredito que isso é muito importante”, diz Samira. As histórias já tiveram cem mil leitores no mundo até hoje, sendo que 40 mil deles estavam em ambientes escolares formais. O restante eram usuários independentes. Um terço deles lê o livro assim que faz o download, segundo Samira. Os títulos já foram baixados em todos os estados brasileiros e num total de 67 países, incluindo locais com extrema pobreza e zonas de conflito. “Temos leitores até no Paquistão”, conta Samira. O aplicativo tem uma parceria com um sistema de ensino – cujo nome não divulga – e que introduziu as histórias em escolas dos Estados Unidos. No Brasil, busca parcerias com outras instituições de ensino além do Sesi-PR, onde os aplicativos são usados em uma oficina optativa para os estudantes. “Comecei a receber vídeos dos alunos. Consegui ver o ciclo do produto. É maravilhoso ver que o que você criou e sonhou está acontecendo. É demais”, afirma Samira. Sobre o contato com a educação formal, a jornalista explica que a dificuldade é conseguir emplacar o uso de um dos livros em algum projeto-piloto nas escolas. “O Brasil tem sido muito desafiador. É um mercado sazonal. Tem que acertar o período certo para falar com pessoas”, diz. Além disso, segundo Samira, as escolas mantêm o uso de apostilas como algo muito enraizado. “Acontece muito de ouvirmos a questão de não ter tablets na escola. Falamos que os alunos têm smartphones. Falamos que gostam de usar e querem usar. O pior veneno é a apostila. Dizem que o aplicativo é legal, mas precisam usar apostila porque os pais cobram. Este é um ciclo bizarro da educação. Quero acreditar que isso vai mudar.” Parcerias Dois dos livros são vendidos nas lojas de aplicativos. “Frankie for Kids” sai por 16,90 e “Via Láctea” custa R$ 9,90. As outras histórias são gratuitas, assim como o aplicativo Storymax. Uma delas, “St. Ives”, é gratuita mas tem conteúdos pagos dentro. A publicação gratuita é possível por meio de parcerias com instituições privadas e pelo financiamento público, com uso de editais, e funciona como atrativo para que os usuários conheçam os livros e se disponham a comprar aqueles que são pagos. A empresa também contou com incentivos de programas de aceleração de startups dos quais participou, como o Seed (Startups and Entrepreneurship Ecosystem